Punk: 30 anos de história

O trigésimo aniversário do Punk Rock assinalou-se no passado dia 2 de Fevereiro, no Pavilhão Incrível Almadense. Uma festa de com muitos decibéis e suor, partilhada por graúdos e miudos, jovens que ainda nem sequer tinham nascido quando “No Future” era uma palavra de ordem.

Os britânicos “Uk Subs”e “Vibrators”, a par com os portugueses “Anti-Clockwise” e “Headwire” trouxeram à sala do Incrível Almadense, com cerca de 2 centenas de presentes, o rock veloz e contestatário que em 1977 explodiu no Reino Unido como um ressurgir da música simples, directa e que acabou por se tornar um fenómeno social. “Na altura, pensávamos que o punk não ia ter futuro mas hoje as pessoas continuam a vir ver-nos tocar”, congratula-se Ian Knox Carnochogan, guitarrista e vocalista dos Vibrators. Apesar de ninguém enriquecer a tocar este tipo de musica, a banda continua a sentir que é um dever corresponder ao entusiasmo dos fãs mais novos, mesmo que isso signifique “guiar 800 km e quase não comer durante 2 dias”. “É encorajador ver que tantas pessoas novas gostam de música, refere Knox, acrescentando com ironia que “das duas uma, ou gostam mesmo de nós ou têm algum problema mental. De qualquer maneira, é bom continuar a tocar”.

Para Pedro Santos, a noite é para comemorar os 30 anos de história, acompanhada pessoalmente desde 1977, quando “ser um adolescente em Portugal e gostar de punk era ter informação acrescida, na ressaca do 25 de Abril. Apesar de estar à espera de mais gente no Incrível Almadense, Pedro Santos é categórico: “ O punk não morreu”, frisando que continua a ir a concertos e a descobrir novas bandas. Pete, baixista dos Vibrators, vivia na Finlândia e tinha 9 anos quando os Sex Pistols escandalizaram o Reino Unido com “God Save the Queen”, um hino alternativo para a juventude, desenraizada, sem oportunidades e sem motivação, a quem o refrão “No Future” soou certo.

“ Tinta anos depois, o punk não se vai embora”, afirma com a certeza de quem vive no palco a fantasia de “ganhar a vida fazendo o que apetece”. “Não há nada melhor do que tocar cem concertos por ano e ser recebido por fãs entusiasmados, que cantam a par da banda”, argumenta.

Quando os Vibrators subiram ao palco, encadeando quase sem espaço para respirar temas como “Troops of tomorrow” e “Baby,baby,baby”, a plateia embora pouco preenchida, estava já ganha e entusiasmada para acompanhar a música com saltos, encontrões e refrões cantados a competir com o volume dos amplificadores.

As duas bandas britânicas que tocaram foram escolhidas pela organização por “terem a ver com o início do punk, fazem parte desta história com trinta anos”, considera Paulo Matos, da produtora Musiláxia. Apesar dos trinta anos que separam o presente do momento em que o punk nasceu para o mundo, afirma. De um inicio a todo o volume mas tímido, com os Headwire, a noite cresceu em animação, especialmente a partir do momento em que os Anti-Clockwise acabaram a sua actuação com uma versão veloz de “Safe European Home”, dos Clash, uma banda que surgiu na senda dos Sex Pistols e acabou por se tornar uma das maiores bandas do género nos fins de 1970 e inícios de 1980.

 

Por: António Pereira Neves

Diario do Minho

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: